Entrevista ao Professor Effross

ENTREVISTA DE OSCAR ICHAZO ao Professor Walter Effross

Walter Effross é professor da Faculdade de Direito da Universidade Americana em Washington, D.C. Ele se aproximou de Oscar em janeiro de 2003 em razão de um artigo para “analisar profundamente os aspectos legais que surgiram das ações legais de vários grupos espirituais/‘potencial humano’ (destacadamente Arica, Scientology e Avatar) para proteger as suas propriedades intelectuais, particularmente na era da Internet.” Entre as suas fontes, além de sentenças judiciais, havia “numerosos trabalhos publicados sobre a Escola Arica, seus programas de treinamento e o sistema do eneagrama, incluindo o texto transcrito do julgamento da ação movida pelo Instituto Arica contra Harper Collins e Helen Palmer.”

O Professor Effross não é afiliado ao Instituto Arica ou à Fundação Oscar Ichazo. O seu artigo, “Em posse da Iluminação (Owning Enlightenment),” foi publicado na Revista de Direito de Búfalo (Buffalo Law Review, Vol. 51, No. 3, pages 483-678, Summer 2003), que ele no momento está revisando para transformá-lo em um livro.

A: A ORIGEM DOS ENSINAMENTOS E DAS TÉCNICAS ARICA

PROFESSOR EFFROSS pergunta A1: Como um professor, que ensina assuntos e técnicas como os seus, estabelece suas credenciais para ensinar, particularmente se está apresentando um material que desenvolveu de forma independente?

OSCAR ICHAZO: Em 1968, apresentei as minhas credenciais e autoridade para ensinar a um grupo de chilenos, pessoas eruditas, filósofos, médicos, psiquiatras, psicólogos artistas e líderes empresariais que trabalhavam no Instituto de Gnosiologia em Arica, Chile. Em seguida, as apresentei ao Instituto de Psicologia Aplicada, Santiago, Chile, com o patrocínio da Associação de Psicólogos do Chile. Com o propósito final da transcendência, apresentei um sistema filosófico completo, dos ensinamentos filosóficos aos teológicos, aos teosóficos e às práticas e aos ensinamentos teúrgicos. Nessa ocasião, circunscrevi a minha exposição apenas ao nível psicológico do sistema, que basicamente fundamentava-se em uma tríade de instintos primários. Essa base psicológica incluía os dois impulsos primários, que no sistema aparecem como a libido—o impulso primário de autopreservação das espécies—e o impulso para conhecer, como a autopreservação espiritual de um indivíduo. Assim, na apresentação estava claro que qualquer psicologia orientada para adquirir estados de lucidez, iluminação e transcendência, ou respectivamente os seus aspectos teológicos, teosóficos e teúrgicos, deveria mostrar uma fundamentação apropriada.

Como uma proposição básica de um sistema, uma psicologia deveria ter seus fundamentos enraizados na nossa biologia e em nosso ambiente. Com o conhecimento dos instintos e dos impulsos é possível estabelecer uma série de três tríades, cada uma delas correspondendo a um instinto específico, e cada instinto em si mesmo dividido em uma tríade de aspectos em que se manifesta. Desde o início dos treinamentos, que aconteciam principalmente no Instituto de Gnosiologia em Arica no Chile e por meio do método de análise hoje conhecido no sistema como Autodiagnose, apresentei a teoria das Fixações, ou da Protoanálise, que era o título do sistema nessa época. Essa teoria mostra qual dos três pontos possíveis em cada instinto foi afetado e então de uma certa maneira traumatizado ou bloqueado. Esse ponto traumatizado exige uma atenção completa, pois um instinto incompleto provoca uma Fixação obsessiva sobre o ponto instintivo que foi ferido. A importância do Eneagrama das Fixações é que ele permite definir em que pontos nossa psique adquiriu uma predisposição errada, pois a Fixação de fato implica em uma deficiência e em uma carência que darão a cor e a definição do tipo de personalidade. É importante destacar que em meu sistema, que é original, trabalhamos com três Fixações (Trifix), ou uma tríade com uma Fixação para cada instinto.

A teoria explica que, na tipologia produzida por essa tríade de Fixações, a personalidade atual pode ser reconhecida ao entender a apresentação teórica, seguida pela experiência da inter-relação nos grupos de trabalho. O comportamento condicionado pelo ego tem uma aparência completamente mecânica, ou o resultado de uma automação, com um comportamento dramaticamente óbvio e repetitivo. De acordo à teoria, por meio do reconhecimento das Fixações, é possível adquirir um conhecimento que pode apontar esses padrões de comportamento, óbvios e recorrentes. Esse conhecimento, obtido por um processo de estudo dirigido, da análise e da experiência com nossa própria Trifix, produz automaticamente estados de profunda catarse. Os instintos e os impulsos são diretamente conectados ao nosso sistema endócrino e ao circuito principal de neurotransmissores do cérebro (ponte, cerebelo, encéfalo e sistema límbico) e as alterações produzidas pelos instintos e pelos impulsos liberados levam a um sentido de unidade e de Totalidade, ultrapassando o comportamento repetitivo, pálido e monótono dos tipos particulares, condicionados pelo ego.

Ao trabalhar com a tríade das Fixações, ou Trifix, é possível estabelecer um ponto de vista, ou um centro de atenção, que pode nos distanciar o suficiente para entrar em um processo de auto-observação e é essa nova consciência do processo psíquico mais interno, do qual toda a nossa vida depende, que se torna uma testemunha permanente e que pode continuar a desenvolver todo o potencial humano, que aqui é compreendido em sua integridade, como a completitude de um ser humano desenvolvido em seu potencial pleno.

Mais à frente, a teoria e o sistema são apresentados em níveis que se sobrepõem, ou em Esferas de Conhecimento e de Existência, que cobrem os seis Reinos do Ser (no sentido da realidade ontológica) que são o Reino Biológico, o Reino Psicológico, o Reino Consciente de intencionalidade, de epistemologia e de lógica, além de um nível intuitivo baseado em valores estéticos e éticos da Mente Intuitiva. A partir desses, segue o Reino da Iluminação, ou a transcendência do intelecto puro, no sentido de uma inteligência verdadeira que corresponde ao mundo das Formas Divinas de Platão, ou das Idéias Divinas. O próximo Reino é aquele do espírito, o Reino Espiritual, que é o reino da metafísica abstrata com base nos Princípios Divinos e nos quatro fundamentos da metafísica suprema. Finalmente, vem o Reino Divino, o reino da transcendência do Um Eterno e Imutável.

Aqui é necessário dizer que a metodologia de todos esses estudos tem sua base na lógica Formal de Aristóteles em sua referência aos três princípios dessa lógica, como compilado por Alexandre de Afrodisias, que nesse método tem uma conexão particular com os princípios metafísicos. Em segundo lugar, a Lógica Dialética baseada na teoria aristotélica dos opostos desenvolve-se em uma síntese que combina e harmoniza as duas manifestações prévias em um todo harmônico, em si mesmo integrado e perfeito. É importante observar que o meu sistema é baseado exclusivamente em Aristóteles, sem qualquer relação com a lógica dialética de Hegel, Marx, Engel e Lênin com sua dialética materialista. Além disso, apresento uma lógica que pode ser a base para uma análise lógica da realidade comum. Essa realidade não prossegue em uma linha interminável de eventos futuros, mas sim em uma série cíclica que procede de uma tríade de forças que são elementares e básicas para o critério de movimento.

Esse terceiro caminho lógico, que chamo de Trialética, é a minha contribuição específica à teoria lógica. Os outros dois termos lógicos são reinterpretados dentro da minha concepção. Primeiro, a lógica Formal estabelece seus fundamentos sobre princípios metafísicos do Um e do inumerável, da unidade e da pluralidade e da identidade e da contradição. Em segundo lugar, aquilo a que me refiro como doutrina dialética aristotélica (lógica dos silogismos), ou a teoria da transformação da potencialidade para o fato, na minha interpretação descreve o processo de mudança e de transformação e, conseqüentemente, descreve a ontologia da lógica do tempo e transformação, movimento e mudança. Claro que isso é fundamental para qualquer avaliação do movimento e do tempo. Em minha interpretação essa segunda lógica dialética dá uma base ontológica ao movimento, mudança e tempo. A terceira lógica, ou Trialética, refere-se à descrição lógica da realidade e do tempo como estruturas compostas de padrões cíclicos, que não são apenas repetitivos e recorrentes, mas desenvolvem-se sobre um padrão preestabelecido que apresenta a realidade como níveis de transformação e como um processo transitório que em si mesmo tem a semente do padrão imutável. Assim, é possível colocar a mudança e a transformação intermináveis como estabelecidas dentro de padrões e processos imutáveis. Essa terceira forma de lógica define a realidade sobre a metafísica das idéias supremas de padrão.

Eu sintetizei as três Leis da Trialética na figura conhecida como eneagrama. Conseqüentemente, todas as séries que pertencem às esferas diferentes podem ser descritas inteligentemente na figura do eneagrama. No entanto, sem a compreensão dos ciclos e das leis descritas na figura do eneagrama, essa figura torna-se inexpressiva e apenas um símbolo esotérico, misterioso e decorativo, pronto a disparar elaborações e suposições ainda mais fantásticas sobre suas fontes. Insistir que o eneagrama pertence a uma tradição Sufi, como fazem a Sra. Palmer e outros, é um uso incorreto e uma compreensão errônea de seu propósito real. É desse sabor esotérico relacionado ao suposto mistério Sufi que quero claramente me separar, pois estou falando sobre termos lógicos de uma ciência e de uma filosofia sérias, e não sobre algo que corresponde à imprecisão dos teóricos do eneagrama.

Todo o sistema baseia-se em princípios lógicos e científicos, no mesmo sentido de Aristóteles, para quem o conhecimento científico essencialmente estabelece que, na realidade, os efeitos têm necessariamente certas causas. Da mesma forma, também as conclusões na lógica silogística surgem de uma premissa principal e de uma outra menor, em razão da aplicação dos termos lógicos necessários, de modo que qualquer acontecimento, ou evento, na realidade pode ser explicado mantendo-se ao mesmo tempo a identidade absoluta e uma proposição de mudança e crescimento no tempo. Finalizando, temos a proposição da ordem cíclica estabelecida pelas três Leis da Trialética. Então, o sistema inteiro é baseado na ciência biológica dos sistemas humanos principais que, conforme essa teoria, estão estabelecidos nos sistemas orgânicos mais básicos e profundos, no desenvolvimento gradual de níveis adicionais de energias somáticas produzidas no sistema endócrino e nos circuitos dos neurotransmissores do cérebro. Essas energias somáticas ascendem até o nível de nossa realidade instintiva, ou o estado presente dos afazeres, em um nível inconsciente, longe da superfície da lucidez consciente. Elas promovem um padrão de comportamento que ajusta os aspectos fundamentais da personalidade humana, tais como a própria auto-estima ou um senso de ser em geral, um senso de valor pessoal que afeta decisivamente todos os atos de nossa vida. Nós não sentimos esse padrão como sendo um padrão comportamental, mas o sentimos como a continuidade da vida dentro de uma realidade sempre em mudança. De acordo com essa teoria, a realidade não é apenas limitada, mas estritamente conduzida por leis fundamentadas em uma tríade e descritas em um eneagrama que delineia o ciclo inteiro com seus respectivos pontos que fundamentam a realidade psíquica e instintiva.

O primeiro instinto, conhecido em Protoanálise como o Instinto de Conservação, é a nossa preservação em geral e o nosso sentido mais íntimo de ser. O segundo instinto principal é conhecido na Protoanálise como o Instinto de Relação, significando a inclinação de grupo e social, a solidariedade entre as comunidades humanas, nosso sentido de pertencer a um grupo social que é básico e fundamental para o sucesso de nossa vida, que depende inteiramente da sociedade em que vivemos. O terceiro instinto, conhecido na Protoanálise como o Instinto de Adaptação, refere-se à função primária da vida humana—que mostra a intencionalidade de todos os seres biológicos em se preservarem—como também à função dos sistemas e órgãos da anatomia humana que têm uma função preestabelecida, como o olho, que estritamente tem a função preestabelecida da visão. Esse terceiro instinto também é conhecido como a doutrina aristotélica de teleologia ou finalidade, que na Trialética é conceituada como a inclinação geral em constantemente nos adaptarmos ao nosso ambiente para sobreviver. Essa inclinação para nos adaptarmos ao ambiente desenvolve nos seres humanos a habilidade de adaptar o ambiente aos nossos propósitos. Isso significa o desenvolvimento de ferramentas e de sistemas de trabalho que são fundamentais para a sobrevivência dos humanos em um ambiente específico. É claro que a base desses três instintos encontra-se na inclinação geral de qualquer criatura viva em preservar-se.

O Instinto de Relação—a realidade das relações humanas—é apresentado no próximo nível do sistema, como os Níveis de Consciência sobre os quais toda a manifestação humana social se manifesta e depende. Eles apresentam a vida em si mesma como um desenvolvimento harmônico que segue leis rigorosas e estudam os ciclos da vida que se repetem em idades e atitudes diferentes da vida. A importância de estudá-los é que a nossa concepção da vida depende inteiramente do nosso ciclo vital e do que está se manifestando em cada um dos estágios. Então, os Níveis de Consciência, em relação ao período da vida humana, podem nos dar pontos claros que nos permitem ver a nossa sociedade como um organismo vivo que, em uma escala maior, se mostra reproduzindo os mesmos instintos básicos que vemos nos níveis inconscientes e instintivos do ser humano. Esse nível, ou esfera, é onde apreendemos nossa sociedade por meio das conexões vitais e reais que se estabelecem conforme os diferentes Níveis de Consciência.

O terceiro instinto básico, o Instinto de Adaptação, tem a predisposição de nos acomodar ao nosso ambiente, de forma a que possamos utilizá-lo e, no caso da espécie humana, modificá-lo conforme as nossas necessidades. Esse instinto básico é responsável por nossa habilidade em produzir ferramentas, cultivar grãos e domesticar rebanhos. Esse nível é estabelecido pelas Funções do ser social e está na esfera da prosperidade, poder social, fama e autoridade, ou nas funções de economia, política e moralidade. Aqui acabam os níveis que correspondem ao nosso nível psicológico de causas e motivações inconscientes e subconscientes.

Os próximos níveis correspondem ao Reino Intelectual. Aqui primeiro se estabelece a esfera da intencionalidade—intenções, motivos ou interesses primários que produzem Domínios específicos de interesses especializados em relação a como manejamos nossa vida, refletidos em interesses particulares voltados à vida sentimental, à nossa saúde física atual e às outras motivações da série. Esses fatos estabelecem as nossas predisposições, inclinações ou intenções intelectuais. A próxima esfera apresenta a área da lógica, da epistemologia e do cálculo físico, e inclui as esferas da lógica, da matemática, da música e das medidas. A esfera final do Reino Intelectual é a da Mente Intuitiva, que, em si mesma é dividida em realidade estética e arte. Os três reinos superiores, que são o mental, o espiritual e o transcendental, correspondem aos níveis da ontologia, da metafísica e da teologia, respectivamente.

Claro que no começo havia alguma dificuldade na apresentação desse grande sistema de filosofia, que é centrado nas doutrinas da lucidez e das transformações espirituais que eram vivas na Grécia clássica e também em civilizações ainda mais antigas do Oriente Próximo e do Crescente Fértil, nomeadamente Egito, Mesopotâmia e Pérsia. Essas doutrinas foram desvirtuadas e quebradas com o advento da civilização Ocidental e do início da Idade Média. Esse desvirtuamento estabelece o que realmente podemos chamar de o problema de nossa época. A realidade da perda, ou da falta, de lucidez espiritual—conhecida como iluminação em todas as tradições espirituais e místicas verdadeiras—tornou-se o problema da filosofia do século dezenove, quando o avanço da ciência produziu uma separação entre o conhecimento testado empiricamente e a filosofia determinada teoricamente. Sobre esta trágica inclinação às proposições materialistas da ciência, apareceu no mundo ocidental uma reação que se manifestou como uma investigação acadêmica verdadeira das culturas Orientais, mais especialmente da filosofia mística da Índia que era centrada na Unidade de Deus, na possibilidade da transformação do homem por meio do desenvolvimento de suas potencialidades internas e ainda mais, na tradição budista de despertar e sair do mundo ilusório das aparências que é radicalmente carente de Ser.

O ponto é que a metafísica Ocidental entrou em colapso com a Crítica da Razão pura de Kant, que foi reavaliada pelo Idealismo germânico, que em si mesmo entrou em bancarrota com a Dialética Materialista de Marx e a Análise Fenomenológica de Schopenhauer, Nietzsche, Brentano, Husserl, Heidegger e Derrida, com a Análise Positiva de Frege, Russell, Moore, Austin, com o Pragmatismo de Pierce, James, Dewey e Searle, com a Análise Existencial de Kierkegaard, Jaspers, Sartre, Foucault e Marleu-Ponte, com a Análise Estrutural de Strauss e com a Análise Hermenêutica de Gadamer, todas inevitavelmente terminando no colapso completo da metafísica na filosofia ocidental.

Que a metafísica está completamente arruinada na cultura ocidental, é um fato que pode ser visto na história devastadora de guerras e destruições, e no horror dos resultados que um materialismo infundado pode produzir sobre a orientação e os objetivos de uma cultura e uma civilização, em razão da falência de qualquer valor e interesses comunitários. Isso criou divisões e fossos profundos entre todos os grupos relativos e minorias, em raça, sexo, classe e religião e, em razão dessas divisões materialistas, qualquer possibilidade de unidade ou de harmonia inevitavelmente conforma-se ao próprio interesse material de um indivíduo, e está em contradição com a posição dos demais. Aqui não estamos nos referindo à perda de um sentimento humanitário, mas à séria perda de valores fundamentados na transcendência.

Obviamente, a premissa fundamental da transcendência é a pedra angular de toda a tradição platônica, estóica e neoplatônica, porque a autoridade desses valores e interesses espirituais estava concretamente fundamentada na habilidade da metafísica funcionar como um instrumento transformador do corpo, da alma e do espírito humano, de modo a promover o desenvolvimento do Bem intrínseco que existe potencialmente em cada ser humano. Então, podemos dizer que uma metafísica trabalha com a realidade apenas quando pode produzir não somente mudanças ontológicas baseadas no Ser Essencial e na existência, mas também mudanças epistemológicas onde a nossa capacidade para conhecer avança em graus desde a escuridão material até a iluminação do espírito. Claro que essa epistemologia é incoerente, sem uma lógica que possa explicar sistematicamente os parâmetros universais do espaço ou Eternidade, do tempo e dos ciclos, explicação que a Trialética alcança.

O que é trágico na cultura Ocidental é que a espiritualidade frustrada dos metafísicos, teólogos e místicos em geral, levou à erupção de um movimento enorme de investigação das tradições antigas, em busca da Pedra Filosofal que preencheria a Totalidade do intelecto, o que certamente seria uma realização elevada desde que fundamentada em sua Realidade Divina verdadeira. No entanto, os buscadores ocidentais nunca encontraram este segredo antigo e, ao contrário, caíram em uma espécie de ocultismo esotérico em que a verdade se dizia estar velada por Mistérios. Este movimento gigantesco, que eclodiu no início do século dezenove, acompanhou os avanços científicos do século dezessete, a Iluminação dos Enciclopedistas do século dezoito e cresceu rapidamente no século dezenove com a Revolução Industrial, o surgimento do Socialismo e Materialismo Humanistas, e no século vinte com o advento da eletricidade e da explosão da informação em massa. As teorias esotéricas e as sociedades ocultas proliferaram abundantemente durante os períodos anteriores à Primeira Guerra Mundial e também durante o período pós-guerra, que nada mais foi que o preâmbulo para a Segunda Guerra Mundial, quando o trabalho final de todas estas teorias de pseudo-espiritualidade—que produziu os termos absolutistas das políticas totalitárias em oposição à liberdade humana radical—simplesmente teria que terminar na tragédia atroz do Holocausto.

O sistema filosófico que tenho apresentado desde 1968 foi, é claro, o fruto de uma longa investigação da filosofia, da teologia e da ciência Ocidental, com a intenção de recriar não apenas o que considero a interpretação real das tradições Platônicas-Peripatéticas-Estóicas-Neoplatônicas, mas os métodos e as práticas em direção à obtenção da iluminação verdadeira, por meio da clarificação filosófica e da transcendência mística.

Então, esse sistema filosófico tem uma aplicação e uma metodologia práticas em direção ao desenvolvimento e à transformação espiritual, com exercícios que correspondem àqueles que podem ser encontrados nos caminhos místicos reais e tradicionais, no mesmo sentido do Misticismo Neoplatônico, cujo objetivo e inspiração eram em direção à Iluminação, à Verdade e às experiências concretas do Transcendental e do Divino. Esses têm o poder transformador do Espírito Divino verdadeiro.

A2: Como e por quem são desenvolvidos os treinamentos do Instituto Arica (“Arica”)? Até que ponto eles incorporam e sintetizam técnicas e práticas tradicionais?

Oscar: Os treinamentos são desenvolvidos por mim com a finalidade de trabalhar o material teórico em termos práticos e experimentais, e também para incorporá-lo, no sentido de obter a posse verdadeira dos temas, de suas particularidades e da realidade das práticas de lucidez, meditação, contemplação, bem como das práticas interpessoais de catarse e de compartilhamento da lucidez e da realidade espiritual por meio de observação, imaginação orientada e o desenvolvimento pessoal.

A posição do Arica, uma estrutura alinhada principalmente à tradição Neoplatônica, é que há um esquema universal de apresentação de problemas e de perguntas, que são respondidos com exercícios e práticas determinantes, que podem ser encontrados em todas as culturas. No entanto, os exercícios e os métodos no Arica resultam da aplicação metódica da Trialética e conseqüentemente de proposições científicas que afirmam seus resultados, suas conclusões específicas, e o estudo dos padrões universais dos ciclos que se produzem em nove níveis. Dessa forma, o trabalho Arica é único e original em si mesmo.

A3: Como a cultura legal, espiritual e social dos Estados Unidos afeta as considerações tradicionais de linhagem, autoridade e sigilo na transmissão de um material espiritual?

Oscar: O senso em considerar a linhagem, a autoridade e o sigilo na transmissão de um material espiritual não é estranha à cultura americana, se pensarmos nas bem estabelecidas Lojas Maçônicas secretas. Fora desse contexto, nossa cultura tem deficiência em compreender a importância de sustentar a linhagem e a autoridade das tradições, o que é básico na transmissão de Verdades e valores espirituais.

A4: Eu entendo que no treinamento de Protoanálise você identificava pessoalmente a fixação de cada estudante examinando a sua fotografia, mas que no novo treinamento Arica, chamado de Autodiagnose, cada estudante determina a sua própria fixação. Por que o Arica mudou a abordagem para determinar a fixação?

Oscar: Autodiagnose era o método original para determinar as três Fixações, ou Trifix, de cada estudante. Esse trabalho era feito individualmente, com cada um dos estudantes. O mesmo procedimento foi seguido no primeiro treinamento Arica em 1970 em Arica, Chile. O método fotográfico era parte da pesquisa em relação à expressão e às funções dos doze nervos cranianos, mas esse estudo não concluiu de forma a ser adequadamente utilizado, além de ter o perigo extremo de promover a subjetividade na análise da personalidade, o que implicaria em um ponto de vista preconceituoso, em vez da proposição analítica e psicológica do questionamento fornecido em Autodiagnose. Agora, as perguntas de Autodiagnose para estabelecer a Trifix podem ser trabalhadas independentemente pelo estudante, sem a interferência de outras pessoas.

B: A DISSEMINAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE MATERIAIS ARICA

B1: Até que ponto você impõe um dever de confidencialidade (escrito ou oral) aos indivíduos expostos aos seus ensinamentos e técnicas?

Por exemplo, os psicólogos que assistiram à sua palestra sobre Protoanálise no Instituto de Psicologia Aplicada (Santiago), sob o patrocínio da Associação Chilena de Psicólogos, estavam submetidos a uma obrigação como essa?

Quando esses acordos foram desenvolvidos em documentos formais para os estudantes da Escola Arica? Antes de Cláudio Naranjo sair? Antes do artigo de John Lilly e Joseph Hart, “O Treinamento Arica (The Arica Training),” no livro de Charles Tart de 1975, Psicologia Transpessoal (Transpersonal Psychology)?

Oscar: Em relação à confidencialidade dos Ensinamentos e das técnicas que eu proponho, enquanto eram Ensinamentos e práticas que estavam sendo passadas apenas parcialmente e não em sua integridade, era imperativo que essa informação fosse guardada na Escola Arica. Desafortunadamente, uma parte dessa informação caiu nas mãos de buscadores e de pesquisadores bem intencionados, que pegaram esquemas e proposições que não estavam claramente explicadas, sobre fundamentos, objetivos e resultados, e apresentaram um material sem estrutura, sem base, e mesmo sem a compreensão verdadeira, tornando-a assim projeções subjetivas e infundadas.

Claro que só posso opor-me às representações infundadas, que se tornaram projeções subjetivas e materializadas das pessoas que ensinam este trabalho, sem ter uma compreensão real do seu significado e da sua aplicação.

Há um acordo na Escola de que todos os Ensinamentos, exercícios e métodos devem ser protegidos por um Acordo de Confidencialidade formal. Desde o começo, no Instituto de Gnosiologia, havia sempre um acordo introdutório de que a confidencialidade do material seria mantida, e isso também ocorria durante as minhas palestras no Instituto de Psicologia Aplicada. Infelizmente, o entusiasmo de pessoas que estudaram comigo levou a que escrevessem artigos e começassem a ensinar fora dos parâmetros da Escola Arica. Este foi o ponto de partida para que o material da Escola fosse publicado de forma incompleta e sem a minha permissão.

Eu trabalhei com Cláudio Naranjo durante a série de palestras no Instituto de Psicologia Aplicada sob o patrocínio da Associação Chilena de Psicólogos. Posteriormente, ele participou do treinamento Arica de dez meses no ano de 1970 em Arica, Chile. Em razão de certas circunstâncias do treinamento em si, trabalhei com Cláudio Naranjo, pessoalmente e à parte do grupo, na teoria das Fixações e sua natureza, que são deficiências, ou falhas, catastróficas que correspondem a uma tipologia determinada de ego. Mais tarde, expliquei-lhe os métodos para chegar aos antídotos, usando as próprias Fixações como um caminho para encontrar o remédio nos níveis superiores e paralelos do ser e da existência, onde os níveis psicológicos das Fixações se transmutam nas correspondentes e superiores Idéias e Virtudes Divinas.

Isso é um processo de integração e completação do Ser humano. Aqui estamos falando de um trabalho que é interdisciplinar e estruturalmente correlacionado, e assim podemos falar de uma psicologia de transformação real, porque o nível psicológico é convertido no mais elevado mundo ideal mental da metafísica e da ontologia, que então desabrocha no mundo ético e espiritual do Amor Essencial e da teosofia, entrando em estados de Amor Supremo e Final. Finalmente, entramos no nível Transcendental, além de toda a manifestação relativa, em um Estado de União Divina, ou Teose, conforme os princípios clássicos do trabalho teúrgico para obter a união com o sempre-misterioso Um, que nunca poderemos definir.

Meu trabalho com Naranjo em Arica, assim como com o grupo principal da Escola que já estava estabelecida, acontecia com base em um acordo e ascensão comuns, e, dessa forma, a Escola de Conhecimento foi especialmente desenvolvida com uma base teológica, filosófica e científica. Na época, a minha explanação da Protoanálise correspondia apenas ao nível psicológico do ensinamento, com uma ênfase na doutrina das Fixações em concordância às teorias do eneagrama, que são explicadas logicamente pela Trialética.

Muito pode ser dito sobre a minha relação com John Lilly, que infelizmente não terminou o treinamento em Arica, como foi o caso com Naranjo. Conseqüentemente, eles não completaram o trabalho real das Fixações, acrescido das explanações teóricas sobre como o sistema das Fixações surge, manifesta-se e comporta-se no mundo humano. Infelizmente, John Lilly publicou, e Naranjo ensinou, uma versão extremamente parcial da teoria, que neste momento foi excessivamente enfatizada como uma teoria do eneagrama. Isto produziu uma extraordinária confusão acompanhada das conseqüentes interpretações errôneas e da trivialização do material, a um ponto em que o trabalho tornou-se quase irreconhecível e tendendo a ser um roteiro sobre tipos que nada mais são do que a construção subjetiva dos próprios autores, sem qualquer explicação da metodologia, da psicologia estrutural e da epistemologia, absolutamente necessárias para estabelecer os fundamentos do conhecimento e da existência.

Sem esses passos, absolutamente necessários para qualquer compromisso sério em matéria de filosofia, teologia e ciência, é claro que não é possível sustentar uma posição filosófica, teológica e científica de forma coerente. Após o atropelo dos autores que se tornaram conhecidos como “autores, professores e praticantes do eneagrama,” eu trabalhei duro para separar a mim mesmo e o meu trabalho desta paródia incrível que se ajusta aos melhores roteiros cômicos ou trágicos que alguém possa imaginar.

Foi nos anos 80, quando estava passando, exclusivamente à Escola, materiais ainda não publicados, que se tornou necessário assinar Acordos de Confidencialidade. Essa necessidade surgiu por ser imprescindível ter instruções específicas para a compreensão e a completação dos materiais novos e também em razão de que estávamos entrando em caminhos que requerem conhecimento iniciatório sobre bases claras em filosofia, teologia e ciência.

B2: Você tem criticado vários escritores que atribuem o eneagrama, bem como os ensinamentos a ele relacionados, à “tradição oral Sufi.” O que é uma “tradição oral” no contexto espiritual? Por que essas tradições foram criadas e mantidas? Hoje em dia, a necessidade de tais tradições é maior ou menor que em tempos anteriores?

Oscar: Minha compreensão de uma “tradição oral” é de uma tradição transmitida sob grande sigilo, apenas e diretamente do Mestre ao estudante, ou da boca ao ouvido—uma abordagem expressa oralmente que nunca será escrita, em razão das limitações da linguagem e da conceituação humanas. Em outras palavras, a Verdade pode apenas ser transmitida por meio de iniciação na real União Suprema com o Um Transcendental. É claro que isso é o objetivo único e supremo de qualquer Ensinamento que afirme obter iluminação e Realização Suprema. Nesse sentido, há no Arica uma tradição oral, ou uma transmissão por meio da iniciação e da conquista do Estado de Transcendência verdadeiro.

Não seria necessário qualificar a importância de tudo isso, mas as pessoas da comunidade do eneagrama insistem que minhas fontes têm origem Sufi, o que de fato não é verdade. Como disse, estritamente falando, as minhas fontes são alinhadas aos Ensinamentos Platônicos e Neoplatônicos, no sentido de colocar a existência de uma base transcendental tripla, que consiste do Um, do Intelecto ou Nous e da Alma ou Logos. Toda a minha série de Esferas de Conhecimento e Existência desenvolve-se a partir dessa base, e consiste de dezoito esferas divididas em seis reinos. Essa integração de todas as disciplinas e ciências em um esquema coerente, assim como toda a sua metodologia e lógica, é meu trabalho original, como descrevi antes e que apresento como Filosofia Integral.

Como uma questão de fato, tive a honra de conhecer intimamente as seitas Sufis mais tradicionais e respeitadas, que têm grandes centros distribuídos na Índia, no Cachemir, no Afeganistão, no Irã e na Turquia. Minha habilidade em compreender profundamente suas doutrinas e práticas principais vem do fato de que todas as seitas Sufis tradicionais baseiam-se estritamente em fontes Platônicas, Aristotélicas e Neoplatônicas, desde a apresentação exemplar do primeiro Califado de Abu Baker e depois por Ali e os doze Imans dos Shiitas, como também os setes Imans de Ishmaeli. Com os grandes filósofos da idade Média Árabe (al-Kindi, Avicenna, Suhrawardi, al-Ghazzli, Ibn ‘Arabi e Averróis) esta filosofia produziu frutos com a transmissão histórica das doutrinas gregas antigas ao mundo ocidental por meio da filosofia Escolástica da Idade Média e também por meio da filosofia judaica de ibn Gabirol, Jadah Halevi, ibn Ezra e Moses Maimonides, além do desenvolvimento das doutrinas das emanações da Cabala, reafirmadas em termos esotéricos na Cabala judaica, que é principalmente uma estrutura Neoplatônica e corresponde ao trabalho com os Nomes Divinos do Neoplatonismo. Em razão da minha interpretação e compreensão da teurgia elevada Neoplatônica, como encontramos em Porfirio, Iamblicus, Sirianus, Próclus e Dasmascius, meu diálogo foi possível, quando tive a grande honra de encontrar estas tradições em suas fontes reais, em suas Verdades Doutrinárias e em sua prática perfeita.

A resposta à sua pergunta, “Por que essas tradições foram criadas e mantidas?” é que há uma necessidade de ter uma interpretação real do conhecimento antigo que se encontra em todas as grandes tradições antigas. Esse é precisamente um dos meus pontos ao apresentar todo o meu trabalho como um instrumento real que pode clarificar todos os pontos da doutrina e da prática, de tal modo que não há mais a necessidade de restringir o trabalho a grupos pequenos. E de fato, isso é uma revolução em razão da necessidade de sigilo e da relação pessoal e imprescindível entre Mestre e discípulo terem sido superadas por um método e uma doutrina capaz de produzir as realidades iniciatórias e o alcance dos Estados Superiores do Ser, do Conhecimento e da Existência. Por isso, desde 1968 insisto que meu trabalho seja mantido confidencial até que o publique de forma completa, o que necessariamente deve ser feito com a base de uma Escola que verdadeiramente incorporou e realizou os objetivos e os propósitos da teoria e da doutrina. De outra forma, como temos visto, a integridade do trabalho seria perdida para uma interpretação errônea, subjetiva e relativa dos autores que têm utilizado o trabalho com compreensão deficiente e hipóteses erradas.

B3: A Escola Arica, tem uma tradição oral? Em caso afirmativo, que tipo de material essa tradição inclui?

Oscar: Se atribuirmos à tradição oral o significado de um tipo de sigilo que é limitado à transmissão do conhecimento sob as circunstâncias de uma relação pessoal entre um Mestre e um estudante, muitos dos treinamentos Arica contêm ensinamentos desse tipo, que implica na presença de um conhecimento particular, que para o estudante aparece como uma orientação e um direcionamento que em si mesmo transcende palavras e conceitos. Se os treinamentos fossem passados sem o que inevitavelmente devemos chamar ‘chaves internas’ e ‘instruções centrais’, (que requerem um tratamento cuidadoso e uma precisão intuitiva, no sentido de um estado de Ser que certamente pode ser sugerido, mas que apenas adquire realidade sob a luz do conhecimento transmitido, de uma postura especial ou de um estado de Ser que tem uma visão), se tornariam inúteis e sem fundamento, para dizer o mínimo. Na teoria Protoanalítica, essa visão do Ser é citada como o ‘surgimento da testemunha’, que pode produzir instantaneamente uma ordenação e uma consciência de nossa existência em sua liberdade e estabilidade.

Abaixo está a lista de treinamentos do currículo da Escola Arica que forma o corpo de Ensinamentos a que chamamos “Linha da Escola.” O significado disso está relacionado ao conceito de que o Ensinamento é uma linha de Esferas de Conhecimento e de Existência (então Integral) que se relacionam, com uma finalidade, propósito, objetivo, ou telos, supremo e único, que define implicitamente o propósito iniciatório de toda a linha de treinamentos. Isso significa claramente a finalização de uma iniciação suprema, absoluta e completa, que na realidade é uma série de iniciações até a base final e suprema de nossa existência como uma Totalidade, em termos Trialéticos de eternidade, tempo e ciclos. Esse último ponto só pode ser discernido se a iniciação é completa e especificamente estabelecida por meio de credenciais verdadeiras de uma linhagem e de Mestres. Essa exigência é básica em qualquer tradição real e aponta para a fonte da tradição, que inevitavelmente se mostra com uma autoridade definitiva que em si mesma é obviamente garantida por uma doutrina verdadeira, um Ensinamento verdadeiro e uma Escola de Conhecimento verdadeira. Podemos encontrar esse requisito em toda a tradição Platônica, incluindo os platonistas árabes e ocidentais, com similaridades notáveis no Budismo Mahayana, nas linhagens Madhyamika, Yogacharya, Vajrayana, Yoga Tantra Superior e Dzogchen e também no Budismo Ch’an e Zen.

A Linha de Treinamentos da Escola Arica inclui:

•Treinamento Os Nove Sistemas Hipergnósticos (grupo)

•Treinamento de Autodiagnose (grupo)

•Treinamento Avançado de Fixações e Autodiagnose (grupo)

•Treinamento de Níveis de Consciência (grupo)

•Treinamento Avançado de Níveis de Consciência (grupo)

•Treinamento das Quatro Funções da Realidade (grupo)

•Treinamento das Portas de Compensação (grupo)

•Treinamento Avançado das Portas de Compensação (grupo)

•Treinamento de Mentações/Desvios (grupo)

•Treinamento dos Domínios da Consciência (grupo)

•Treinamento de Kinerritimia (individual ou grupo)

•Treinamento de Pneumorritimia (individual ou grupo)

•Treinamento de Psicoalquimia (individual ou grupo)

•Treinamento da Abertura do Olho do Arco Íris (individual e grupo)

•Treinamento do Ritual do Calor Alfa (individual)

•Treinamento do Corte da Pirâmide Adamantina (individual e grupo)

•Preparação para o Oitavo Nível (individual)

•Meditação e Ritual do Olho Dourado (individual)

•Sistema da Mandala da Grande Telesmata (individual)

•Meditação do Guardião Telegnóstico (individual)

•Natureza Divina: Os Estágios da Completação da Telesmata da Verdade (individual)

•Meditação da Mente Divina (individual)

•Meditação da Idéias Divinas (individual)

•Ritual de Iniciação no Universo da Luz (individual)

•Meditação e Contemplação da Sabedoria Louca (individual)

•Treinamento da Velocidade: Doutrinas das Mentes, Luzes e Métodos (grupo).

•Meditação da Velocidade (individual)

•Meditação do Guardião Supremo (individual)

•O Estado da Transcendência Divina • Meditações • Contemplação • Teose (individual)

Outros treinamentos ou práticas em grupo incluem:

•Dia Arica da Unidade

•Dia Arica da Luz

•Treinamento Arica de Equipe

•Terra Preta da Harmonia Perfeita

•Meditações e Contemplação da Sabedoria Louca (prática de grupo)

•Dia das Idéias Divinas

•O Casal para a Evolução

•Octógono

•Iluminação e Completamento no Processo da Morte

•Meditações da Velocidade (prática de grupo)

•Ondas do Amor Divino

B4: Por que o Arica não estabeleceu a ação legal contra Helen Palmer nos mesmos termos que fez contra os réus do Dimension Books?

Oscar: Os autores do Dimension Books eram estudantes de Cláudio Naranjo. Parece que Cláudio, assim como os outros, ficou surpreso pela publicação injustificada de todo o material que lhe passei em Arica, Chile. Não tive alternativa, que não fosse acionar a justiça para obter a clarificação da origem e da fonte de todo esse material, que de fato não tinha qualquer correlação com os seguidores de Gurdjieff com suas hipóteses extremamente vagas sobre o eneagrama, um ponto que só pode ser esclarecido com uma referência à lógica Trialética.

Quando os autores do Dimension Books se depararam com a evidência de que estavam publicando um material que eu já havia apresentado, mas ainda não tinha publicado, eles declararam, em frente ao juiz Robert P. Patterson, concordando que realmente a fonte e as idéias eram minhas. Para mim isso foi muito importante, porque apontou o erro e a interpretação errônea que resulta de uma disseminação de minhas idéias sem qualquer base ou metodologia. Minhas idéias correm o risco grave de serem trivializadas, apenas porque elas abrem uma variedade de pontos de vista que produzem uma riqueza imediata, mas se tomadas por si só, sem uma base apropriada, podem resultar em uma subjetividade interminável, sem nenhum propósito claro, sem mencionar o dano à apresentação científica.

Quando a Sr. Palmer apareceu com seu livro, não apenas ele era integralmente composto de material Arica, mas além disso, ela introduziu mais uma distorção causada pelas dificuldades óbvias em diagnosticar um tipo egótico, ou uma Fixação, simplesmente por tentar dar significado à palavra, ou ao termo que define essa Fixação. Por meio de analogias e de metáforas, ela atribuiu, a cada tipo classificado, qualificações e observações supostamente incisivas que eram redundantes, desarticuladas e sem base. A Sra. Palmer também informou a sua audiência que o material Arica era apenas uma repetição do trabalho de Gurdjieff e de seu estudante Ouspensky, o que foi um absurdo completo. Mas para sua audiência desinformada, a Sra. Palmer apresentou o meu material simplesmente como sendo parte da tradição de Gurdjieff, e, em seguida, falou sobre a sua própria contribuição significativa ao movimento do eneagrama.

Como dei seguimento à ação legal, de fato ela finalmente teve que aceitar em frente ao juiz que todos os eneagramas e tipologias que ela apresentou tinham origem no Arica. Com essa declaração, considerei ter reavido o trabalho da Escola, o que era o propósito da ação legal, desde o seu início. A esse fato seguiu uma carta pública da Sra. Palmer onde ela sente-se livre em sua posição de insistir que todo esse trabalho era apenas o ensinamento padrão de Gurdieff. Ela reivindica que a teoria dos três centros e a divisão em essência e personalidade, assim como os níveis diferentes de consciência, eram de Gurdieff. Neste momento, considerei que era necessário responder à sua carta pública com outra carta minha, endereçada à Comunidade Transpessoal (Transpersonal Community), onde destaco que os três centros, essência e personalidades, e as doutrinas dos níveis de consciência, apresentados de forma vaga, são de fato doutrinas centrais de Platão e de Aristóteles, que subseqüentemente evoluíram nos sistemas neoplatônicos de Plotino, Iamblichus e Próclus. Evidente que o ponto principal de minha carta foi de lembrá-la de que já havia aceito, em frente ao juiz, que o sistema de eneagramas que ela usava em seus livros era exclusivamente Arica, como de fato. Assim, para mim foi colocado um ponto final nesta informação errônea.

B5: Conforme a página 76 da publicação The Arican Winter 1990, Arica estava então “iniciando a ação legal contra Harper & Row, Helen Palmer, e Cláudio Naranjo.” Naranjo foi citado na ação contra Palmer e Harper & Row, ou em outra ação separada? O que aconteceu com a ação legal contra ele?

Oscar: Em 1990, quando Cláudio Naranjo soube de minhas intenções relativas ao material Arica, ele informou-me que a sua situação era muito diferente, pois nunca havia negado a origem do material que usou concernente às Fixações. Com este esclarecimento de sua parte, não havia mais razão em dar seqüência ao processo legal contra ele.

B6: Há alguma preocupação de sua parte quanto às transcrições de suas palestras no Chile e a outros documentos depositados pelo Arica como “não publicados” no Escritório de Direitos Autorais (U.S. Copyright Office), como por exemplo, os manuais de Domínios da Consciência, de Portas de Compensação, de Níveis de Consciência e de Protoanálise que podem ser vistos pelo público em geral, ainda que sob condições restritas? (Como eu entendo, e o meu artigo discute, uma vez que uma requisição seja feita e a taxa paga, o Escritório de Direitos Autorais transferirá qualquer material “não publicado” de seus arquivos para uma sala em Washington, D.C. onde a pessoa que o requisitou pode lê-lo, mas não pode fazer fotocópias, tirar fotografias, ou mesmo fazer qualquer anotação.)

Oscar: Eu não me preocupo que meus materiais não publicados possam ser vistos no Escritório de Direitos Autorais.

B7: Em uma entrevista com Michael Goldberg, realizada em 1993, você disse que um autor que interpretasse o sistema eneagramático das fixações e lhe desse os créditos apropriados, como a fonte do material original, a interpretação estaria “absolutamente adequada, pois é para isto que ele existe,” e mesmo se discordar da interpretação, “Não é mais minha responsabilidade.”

Por que a sua atitude, em relação as possíveis interpretações errôneas do trabalho Arica, mudou nesta época, depois da ação legal contra os autores do Dimension Books e contra Palmer? A sua visão desse assunto evoluiu desde 1993?

Oscar: Enquanto a fonte original do material das Fixações for propriamente reconhecida, continuarei satisfeito. No entanto, se a interpretação do material for diferente da minha, isso precisaria ser claramente citado, pois a teoria Protoanalítica das Fixações do Arica tem um sistema completo que começa na base do ego e ascende por uma série de níveis de manifestações, predeterminadas e preestabelecidas, que terminam nos estados superiores, além do ego e da mente relativa de conceitos e linguagem. Qualquer outra apresentação seria meramente interpretações subjetivas e relativas do autor, pelas quais apenas o próprio autor é responsável. Veja também os pontos B4 e B5.

C: AS RAZÕES PARA O “SIGILO ESPIRITUAL”

C1: Gurdjieff foi citado por Ouspensky, insistindo que o conhecimento é material e que “é muito mais vantajoso que o conhecimento [esotérico] seja preservado em um grupo reduzido de pessoas e não disperso entre as massas.” Você concorda?

Oscar: Foi durante o final dos anos 40 e o início dos anos 50 que encontrei os livros de Ouspensky e Gurdjieff, que provocaram grande atenção em todos os círculos de pesquisa filosófica e esotérica. Eu fiz uma observação a um grupo de cientistas e filósofos que eram ligados à sociedade francesa Martinista, como também às sociedades Teosóficas e Antroposóficas, que estavam interessadas nas publicações então recentes de Ouspensky e Gurdjieff. Apontei, nesta reunião informal realizada em Buenos Aires, que o material de Ouspensky e Gurdjieff tinha uma enorme carência de erudição direta sobre problemas que haviam sido intensamente debatidos, principalmente nas filosofias do Helenismo Antigo e da época Imperial. Mostrei claramente os paralelos diretos em certos conceitos que pareciam ultrajantes, como a idéia de que Judas foi de fato não só o discípulo mais importante de Jesus, mas o único que sabia toda a verdade sobre os eventos que aconteceriam em seguida. Esta idéia pode ser encontrada no livro de Irineo Contra a Heresia, livro I, capítulo XXXI, sob o título “A Doutrina dos Cainites.”

Da mesma forma, era necessário também apontar que a doutrina dos três centros é de Platão, a divisão entre essência e personalidade é de Aristóteles e a doutrina do Raio Cósmico da Criação é uma idéia Gnóstica desenvolvida até as últimas conseqüências pelo Neoplatonismo. A idéia de que o conhecimento é material pertence a estes tipos de proposições, um conceito que só pode ser compreendido se nos recordarmos que, na teoria Atomista do conhecimento e sob a interpretação estóica de Zeno e de Crisipus, o nosso conhecimento da realidade externa era devido às impressões atômicas que eram emanações materiais apreendidas pelos sentidos, que recebiam estes tipos de impressões materiais que têm como conteúdo principal uma energia sutil de que a vida depende. Estes conceitos estóicos insistem que as impressões materiais sutis só poderiam ser adquiridas ou apreendidas por pessoas que estivessem abertas a receber a realidade no estado de lucidez que transcende à subjetividade pessoal e individual e que trabalha através de uma série de filtros e de véus que projetam a si mesmos como imagens de interpretação, bloqueando a energia sutil das impressões materiais. Esta teoria, por certo discutível, pode ser razoavelmente compreendida se basearmos a nossa proposição, de que o conhecimento é material, em todo o sistema da tradição estóica e de suas próprias fontes. Mas, apenas concluir que o conhecimento é material e conseqüentemente pode ser guardado como algo material e que, por causa de sua limitação em quantidade, seria prudente mantê-lo para o benefício de um grupo pequeno em vez de dispersá-lo pelas massas, é simplesmente uma proposição impossível, que na verdade leva o conceito de materialidade a um extremo óbvio, bem como aponta a um sério e impossível equívoco de Ouspensky e de Gurdjieff.

Respondendo à sua pergunta, eu não concordo que o conhecimento possa ser material, nesse sentido ou em qualquer outro, e que deva ser preservado para um pequeno grupo de pessoas, o que seria absurdo e insustentável.

C2: Até que ponto o trabalho Arica deve ser personalizado, de modo a ser efetivo para cada estudante? A necessidade de adaptar o treino ao “estudante” é uma das razões para o sigilo no contexto espiritual—seja no Arica ou em outras escolas mais tradicionais?

Oscar: No começo da Escola Arica, como os treinamentos eram baseados em uma relação individual com cada estudante e mais um relacionamento de grupo, poder-se-ia dizer que a instrução era de alguma forma adaptada “ao estudante,” pela razão óbvia da compreensão de cada pessoa. Mais à frente desenvolvi outros treinamentos, precisamente com o objetivo de apresentar um método que, em razão de sua apresentação lógica e científica, poderia dispensar essa relação individual que fora necessária no início da Escola.

Quanto à necessidade de sigilo em certos treinamentos, além das razões óbvias de iniciação, há um conjunto de técnicas para acelerar o processo de questionamento interno sobre a vida e os estados do Ser que poderiam chocar pela compreensão de que não temos controle sobre a nossa existência, a nossa vida e o nosso comportamento. Estas técnicas nos dão uma experiência concreta que inevitavelmente nos produz um choque pela percepção de que vivemos uma vida que pode ser caracterizada como sonâmbula, um autômato carente de autolucidez e que conseqüentemente não é autoconsciente—a compreensão de que vivemos em um estado de ilusões como em um sonho, com repetições intermináveis de estados e situações de depressão, raiva, ansiedade e medo. Claro que essa é uma situação inevitável, que só a luz da consciência e da autolucidez pode clarificar e resolver. Estas técnicas envolvem doutrinas que conduzem à compreensão de que a vida ilusória pode ser banida, produzindo em seu lugar um estado que é suportado pela realidade externa, e em que a autolucidez e a consciência apóiam-se em fundamentos reais, em vez daqueles fantásticos e ilusórios do estado anterior que, desde Heráclito, é tradicionalmente conhecido como a condição de estar adormecido, em contraposição a uma pessoa que acordou em sua própria realidade e tem sido capaz de contrapor objetivamente a sua própria subjetividade à realidade externa.

O grande problema de não manter estas técnicas em sigilo tem a ver com o fato de que em razão do seu potencial tremendo de produzir benefícios psicológicos, elas podem ser usadas apenas com o propósito exclusivo de ajudar as pessoas a superar os seus estados básicos de depressão, raiva, ansiedade e medos constantes, além da carga terrível de ser um estranho em sua própria vida. Infelizmente, algumas destas técnicas foram indevidamente apropriadas por pessoas que perceberam o seu potencial para um negócio lucrativo, quando postulado como um serviço psicológico. Isso foi uma catástrofe de magnitude incrível, agravada pela subseqüente interpretação errônea da teoria e do sistema Arica, que foram trivializados, com a conseqüência de que o resultado destas versões plagiadas não apenas está em contradição com as proposições Aricas, mas impede tais pessoas de obterem a transcendência real nessa vida.

C3: Por alguma razão, diferentes escola e professores observam cuidadosamente o comportamento dos candidatos antes de aceitá-los como estudantes e, mesmo, negam-se a fornecer ensinamentos adicionais a estudantes já aceitos a quem não consideram mais merecedores de recebê-los. Há, na Escola Arica, um processo similar que impeça o acesso de alguma pessoa ao ensino, seja em um nível introdutório ou avançado? Se há, por que razões a Escola negar-se-ia a prover os ensinamentos a alguém?

Oscar: A Escola Arica não coloca qualquer condição ou limite para que alguém seja aceito dentro do seu trabalho. A Escola Arica baseia-se em um Acordo que estabelece todos os parâmetros para pertencer à Escola, trabalhar no corpo da Escola, realizar os treinamentos, participar do processo democrático, pois em si mesma ela é governada pelo Conselho de Ética que é eleito a cada cinco anos por seus membros. Apenas o Conselho de Ética pode realmente pedir a uma pessoa para que se afaste da Escola e de seus Ensinamentos, depois de um processo de clarificação por meio do Eneagrama do Etos Arica. Desde 1968, poucas pessoas foram afastadas do processo da Escola.

C4: Quanto do trabalho Arica pode ser assimilado de forma puramente intelectual—isto é, por alguém que leia os manuais, as revista e outras publicações Arica, mas não realiza os exercícios ou participa dos treinamentos Arica? Você considera essa abordagem perigosa espiritualmente?

Oscar: O trabalho Arica é apresentado intelectualmente, mas é em razão de seus fundamentos verdadeiros que é possível transcender desde os estados vital, emocional e mental para os estados espiritual e transcendental. A ciência de todo o sistema Arica consiste na integração de todos os estados do Ser que são conectados estruturalmente, ou hierarquicamente. Eles são interdependentes e formam um conhecimento interdisciplinar, o que implica na asserção da Escola Arica como uma filosofia integral, que conclusivamente integra filosofia, teologia e ciência por meio da clarificação dos seus fundamentos comuns e dos seus níveis, estruturados e relacionados, de significado e conhecimento.

C5: Poderia citar um exemplo específico de dano mental ou espiritual causado a alguém pela apropriação ou pela interpretação, indevida dos ensinamentos e das técnicas Arica?

Oscar: Como disse anteriormente em C2, o dano mental ou espiritual causado pela apropriação ou pela interpretação indevida dos Ensinamentos e das técnicas Arica ocorre pela perda da oportunidade de receber a instrução que conduz aos estados de autoconsciência, iluminação e liberdade, e portanto caindo absolutamente no contrário, onde o mundo de apegos e de sofrimento ilusório manifesta-se. O que é possível dizer aqui com confiança é que, quando os processos psíquicos são acelerados por técnicas e trabalhos internos, se a direção não é extrema e claramente manifestada no processo, as ilusões e as perdas são camufladas e transformadas em estados inferiores, incrementando o funcionamento mecânico da psique, como em um sonho, com todos os perigos de uma psique sobrecarregada com inferências fantásticas e sem base que não têm características silogísticas e, ao contrário, apresenta proposições que são meramente sofismas e portanto logicamente erradas.

O que é extremamente perigoso é a criação de um ser artificial, modelado sobre fórmulas e definido por um roteiro em proveito próprio. É inevitável que esta personalidade torne-se cristalizada, produzindo uma condição estável de hipnose e de uma dependência total na crença de estar em um processo de autodescoberta e de conhecimento. Esta condição falsa termina em um fanatismo cego capaz de produzir uma presunção egótica tremenda, com um senso atroz de uma superioridade fútil. O ser artificial acha que transcendeu os níveis inferiores do discernimento do bem e do mal humanos e que pode promover a sua realização individual com a plenitude de seus desejos mentais e espirituais. Isto significa a formação de um ídolo interno, a quem toda a sua vida será sacrificada. O resultado é um estado pronunciado de arrogância interna que também se exterioriza e promove imediatamente no ser artificial um sentido de excepcionalidade e de inteligência que lhe dá a idéia falsa e infundada de que tem o direito de tornar-se um líder, um legislador e a viver na opulência. Esta idéia é então posta em prática por meio da agressão, da violência e da falsidade, provocando como contrapartida uma divisão terrível nas bases da sociedade. Isto equivale à morte de qualquer liberdade possível, no sentido de ter uma mente e um espírito livres, desapegados das reivindicações falsas e erráticas do ser artificial. Também é equivalente à morte de qualquer espiritualidade, porque toda a falsa concepção tende a fundamentar-se na materialidade ordinária, que se manifesta como luxúria insaciável, concupiscência, inveja e arrogância cega.

C6: Há alguma preocupação da Escola Arica quanto à transmissão não autorizada de informações sobre os seus treinamentos de nível mais elevado possa provocar ridículo?

Oscar: Desde que seja completa e precisa, qualquer informação relativa aos treinamentos de nível mais elevado não pode, de forma alguma, tornar-se objeto de ridículo.

C7: Com relação aos requisitos de confidencialidade (quer sejam apresentados como acordos formais que os estudantes assinam ou, mais informalmente, como uma obrigação moral), Arica os vê como um meio de aumentar a energia, o foco e a disciplina dos estudantes (por exemplo, restringindo a perda de energia em conversa fiada)?

Oscar: Os acordos de confidencialidade estabelecem as diretrizes e a base ética de integridade para que os estudantes iniciem o trabalho Arica e o relacionamento com a Escola.

C8: Quem deve decidir quando um estudante de matérias espirituais, tais como as do Arica, está pronto para ensiná-las—o próprio estudante, o professor ou ambos?

Oscar: Há um corpo na Escola chamado Comitê Coordenador de Professores e Patrocinadores (Teachers and Sponsors Coordinating Committee – TASCC) que aprova e autoriza pessoas a ensinar e a patrocinar os treinamentos Arica. Qualquer pessoa que passa o trabalho sabe que a preparação séria e a incorporação do material são necessárias para ensinar. Todos os treinamentos têm manuais completos que requerem o cumprimento das diretrizes que mantêm a apresentação e a estrutura do material em um nível padrão. Todos os professores Arica estão conscientes do nível requerido e fazem o melhor para passar o trabalho de uma forma profissional, objetiva e natural, com as suas características individuais e de personalidade suportando o processo para os participantes, mas sem distorcer o treinamento por colocá-las em exibição.

D: O DESENVOLVIMENTO FUTURO DO ARICA

D1: De que forma os ensinamentos Arica continuarão a evoluir, tanto em relação aos níveis superiores do currículo Arica, quanto à revisão de treinos iniciais? Por que a Psicocalistenia mudou para Exercícios ao Nível de Mestre?

Oscar: Inicialmente, os treinamentos Arica foram desenvolvidos e praticados apenas na Escola. Como há uma hierarquia de níveis no currículo da Escola, com uma relação entre os níveis superiores e os inferiores, é natural que os exercícios e os treinamentos sejam adequados às novas características e aos novos níveis alcançados pela Escola.

Psicocalistenia ainda é chamada Psicocalistenia. O livro desse sistema de exercícios é que se chama “Psicocalistenia, Exercícios ao Nível de Mestre”.

D2: Alguns escritores sugeriram que Gurdjieff forçou Ouspensky a abandoná-lo para que assim ambos pudessem desenvolver novas direções. Em uma entrevista em 1993 a Michael Goldberg, Cláudio Naranjo subentendeu que a sua separação do Arica resultou de uma controvérsia similar.

A natureza de certos ensinamentos espirituais tende a complicar a relação entre o professor e o estudante e, por conseqüência, os assuntos relativos à autorização para ensinar e à linhagem?

Oscar: Não posso ver qualquer relação entre o que aconteceu entre Gurdjieff e Ouspensky e o que aconteceu entre mim e Cláudio Naranjo. Como disse antes, Naranjo deixou prematuramente o treinamento em Arica, Chile e decidiu, sem a minha autorização, ensinar o material incompleto do Arica, enquanto estava em Berkeley.

Professores, estudantes, autorização para ensinar, linhagem e outros, são assuntos que devem ser tratados conforme as diretrizes éticas preestabelecidas, como definido pelo Professor.

D3: Como a experiência em ações legais para a proteção de sua propriedade intelectual afetou a administração dos treinamentos atuais do Arica, o desenvolvimento de treinamentos futuros e a produção de outros acervos intelectuais (como revistas e livros)?

Oscar: Tem sido árduo e difícil proteger a propriedade intelectual do Arica, porque a comunidade do eneagrama, que depende diretamente dos Ensinamentos Arica, tem feito uma profissão de fé negando a Escola e proclamando que o Sistema e o Ensinamento Arica são nada mais que uma versão plagiada da linhagem bem conhecida de Gurdjieff e Ouspensky ou, absurdamente, de uma tradição Sufi. Há também uma sugestão desvirtuada de que o Ensinamento tem uma raiz católica.

Há um ramo de teóricos do eneagrama que segue a linha dos jesuítas e religiosos católicos que declararam que a doutrina que eu exponho poderia ser, de uma certa maneira, similar a um Cristianismo Neoplatônico, que de fato está, histórica e filosoficamente, separado da tradição Neoplatônica real.

Com a apropriação e o desvio produzido em todo material teórico, que fornece ao Cristianismo uma base Neoplatônica desprovida da sua habilidade de obter estados verdadeiros de lucidez, iluminação e união mística, e porque os autores católicos encontraram um tesouro de doutrinas e processos psicológicos no Arica, que parece dar substância real às suas posições baseadas em São Tomás de Aquino, mais uma vez podemos ver que, de fato, a interpretação errônea realmente promove um desenvolvimento completamente oposto, ainda que em si mesma pareça estar proximamente relacionada à verdadeira.

Como disse acima em A1, o Ensinamento Arica não está vinculado a uma Escola esotérica oculta com doutrinas similares àquelas do movimento de Gurdjieff, da Sociedade da Aurora Dourada (Golden Dawn Society) ou da Sociedade Thule. Ao contrário, é uma doutrina científica, teológica e filosófica, com métodos bem estabelecidos sobre conhecimentos e investigações atuais e não como um assunto misterioso, esotérico ou oculto.

D4: Como a Internet e a rede mundial de computadores (World Wide Web) afetou o desenvolvimento da Escola Arica?

Oscar: Até o momento, a Internet tem sido bombardeada com a informação desvirtuada fornecida por Helen Palmer e seus associados, pela Comunidade do Eneagrama e pelos padres e freiras católicos, junto com seus seguidores. Quando os sites Arica estiverem prontos, será apresentada uma perspectiva completa do trabalho da Escola e assim, a informação falsa sobre a Escola e seus Ensinamentos será clarificada. Então a Escola desenvolver-se-á em um ritmo natural no mundo da cultura.

 
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